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Você tem medo de se ‘rasgar’ no parto?

Parir na vertical é o fisiologicamente ideal e correto. Se for de cócoras, em quatro apoios (de quatro), de joelhos, em pé ou sentada, melhor ainda! Às vezes, deitada de lado (nunca em posição ginecológica, com as pernas para cima) também é uma opção. Entretanto, várias mulheres, mesmo com o direito de escolher a posição, sofrem lacerações muito feias. E você? Tem medo de se “rasgar” no parto?

Esse termo costuma ser usado pela população e até mesmo por profissionais da área obstétrica (pasmem). Não sei vocês, mas acho esse termo pejorativo, grosseiro e assustador — principalmente, para quem deseja parir naturalmente. Para piorar, médicos e enfermeiras culpam as próprias mães, por recusar a episiotomia (cortar o períneo, resultando em laceração de 2º grau) ou pela escolha por parir na vertical.

Lemos relatos de mães que pariram bebês de 5kg, sem laceração, enquanto outras deram à luz aos filhos com menos de 3kg, mas sofreram sequelas sérias. Por esses exemplos, já chegamos à conclusão de que peso e tamanho do bebê não são vilões. A conduta dos profissionais de saúde, que puxam, mexem e “cutucam” a mulher durante a saída do bebê são condutas não recomendadas pela Medicina Baseada em Evidências (MBE).

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Posições na vertical, como de joelhos, facilitam a saída do bebê e são grandes aliados para garantir um períneo íntegro e evitar lacerações (Elis Freitas Fotografias)

Para completar o drama, a prática do “puxo dirigido” é outro fator agravante. Ou seja, durante o trabalho de parto, as mulheres são incentivadas a fazer força na hora que outras pessoas pedem, indo contra a fisiologia do próprio corpo. Uma das gestantes que acompanhei, inclusive, me disse depois: “eu fiz força na hora que a médica mandava e não fiz nada quando o meu corpo mandava”.

Além disso, podemos citar a “Manobra de Valsalva”, que consiste em “exalar forçadamente o ar contra os lábios fechados e nariz tapado, forçando o ar em direção ao ouvido”. Esta manobra aumenta a pressão intratorácica, diminui o retorno venoso ao coração e aumenta a pressão arterial”. Ou seja: prender a respiração para fazer força, o que pode diminuir o envio de oxigênio ao bebê e alterar a pressão da mãe.

Fica, então, o alerta: NUNCA faça força se alguém mandar/orientar. Deixe o corpo trabalhar. Você NÃO precisa fazer força. O período expulsivo (após chegar aos 10cm de dilatação) pode durar horas, se não houver sinal de errado nos batimentos do bebê (BCF), que deve ser constantemente monitorado. Mergulhe em você, se conecte com o bebê e esqueça o mundo ao redor.

“É mais fácil para qualquer objeto cair em direção à superfície da Terra do que deslizar paralela a esta (Lei da Gravidade de Newton). Em posições reclinadas, o útero tem que trabalhar em oposição à gravidade. Assim, ocorre um desperdício de energia, se produz esforço e dor desnecessários e a duração do trabalho de parto e do parto aumenta. A descida, a rotação e o parto do bebê são mais fáceis quando a posição materna direciona o bebê para a Terra, ao invés de direcioná-lo na linha do horizonte.” Janet Balaskas, criadora e defensora do Parto Ativo

Quer saber as melhores posições para parir? Assista esse vídeo.

Foto em Destaque: Elis Freitas Fotografias

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